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O DIABO É VELHO — E SEDUTOR.

Lembra aquela máxima de que o diabo é diabo porque é velho, não por que é sábio? Faz sentido. Se é verdade que você não consegue ensinar truques novos a cães velhos, também é difícil que cães novos aprendam velhos truques. A experiência conta em gestão de condomínios, tanto quanto na advocacia condominial. 

Evita armadilhas e permite o reconhecimento de padrões, o que poderia inclusive ser uma das definições de intuição. 

Às características diabólicas, porém, gostaria de acrescentar uma outra: a sedução.

Os filmes de Hollywood sempre foram muito fáceis de entender — um de seus méritos. Mas eu nunca consegui compreender uma coisa: por que seus vilões são tão feios e asquerosos? Darth Vader, Sauron, Voldemort, Scar, Pinguim… todos eles sórdidos, nojentos e desagradáveis, inclusive com seus companheiros mais fiéis. 

Como alguém poderia, de fato, seguir um sujeito como esses na vida real? Não é crível.

O Cristianismo percebeu o problema de maneira sagaz. Os retratos do diabo, denotam alguém atraente e sedutor. O satã sempre foi mostrado como uma deslumbrante, sábia e bela (esteticamente) figura. O diabo é uma tentação sedutora. Não me parece coincidência ambos constarem na mesma frase: “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. 

Existem narrativas preocupantes nos condomínios justamente porque elas são atraentes. Duas das mais perigosas, para mim, são aquelas de que “a causa é ganha” e “qualquer advogado faz”. Se você sabe o que vai acontecer, está no controle. Retira a incerteza do processo e pode antecipar os resultados aos condôminos e membros do conselho. 

Dia desses um condomínio com alta inadimplência me pediu uma proposta. Proposta esta que foi rejeitada porque “não queremos advogado particular do condomínio” e “a menina da administradora dá conta, já que ninguém perde ação de condomínio”. 

Sem jeito a Síndica me disse que ela tentou combater, mas sem êxito, as decisões do Conselho. Sendo este Day One uma continuação do anterior, senti em suas palavras que ela havia cometido um deslize imenso em sua vontade: Combateu o Conselho! 

Os anos de experiência me mostram que Conselho de Condomínio não se combate; se conquista. Como? Permitindo que a necessidade do síndico de ser auxiliado por um jurídico seja defendida por quem entende de defesa. 

Todos querem acreditar que são capazes e especialistas em condomínios, assim como todo brasileiro entende de futebol. Todos somos técnicos da nossa seleção. Todos temos palpites, mas só um tem a dor e a delícia de decidir sobre o escrete canarinho. 

Quase todo conselho é contra a contratação de um escritório especializado em condomínios. “Melhor deixar nas mãos da Administradora”. É tão lógico quanto comprar uma Ferrari e colocar combustível adulterado nela. 

Também podemos crer no contrário, em que devemos simplesmente providenciar 3 orçamentos e escolher “o mais em conta”. Naquele condomínio em questão, os Conselheiros estavam traumatizados com um desentendimento com o Advogado anterior. Claro, ninguém sabe o nome do Advogado, nem sua especialidade, nem ao menos sabem os motivos do desentendimento, só que estavam descontentes com o trabalho. 

Após pesquisa, fui descobrir que se tratava de um Advogado generalista, que em grande probabilidade deve ter pego alta demanda, sem o investimento em estrutura e conhecimentos adequados ao porte do cliente. Ineficiência de gestão, escolhas por preço e falta de experiência, levaram aqueles condôminos ao trauma. 

Não os culpo. A questão aqui é que o erro fora cometido mais uma vez. Ao não permitir que a proposta de assessoria jurídica ao condomínio seja mais do que um papel na mesa, os critérios de avaliação e contratação são imediatamente subjugados. 

Caíram novamente no golpe da contratação fácil e sem qualidade e estão descontentes novamente com a ineficácia da assessoria jurídica. 

Claro que, depois, com o benefício da retrospectiva, ficará óbvio qual caminho deveria ter sido seguido. A História não conta tudo que poderia ter sido; apenas um cenário entre os vários possíveis acaba se materializando. Esse é um dos paradoxos da necessidade de se tomar decisões ex-ante. Você pensa prospectivamente e pondera os vários cenários possíveis e prováveis à frente. Contudo, só um deles vai se materializar. Ou seja, por mais racional, prudente e científico que você seja, pensando probabilisticamente, você vai errar, porque a vida não conta probabilidades.

A “causa ganha” é outra armadilha fácil do diabo. Qualquer advogado faz e tira de letra as ações jurídicas de um condomínio. Quem não quer ajudar o membro do conselho e dar ao filho dele as causas do condomínio? Quem não quer ajudar o menino da Administradora, que precisa de causas para alavancar a carreira? 

Paga-se barato e ganha média com os moradores. 

A razão é uma grande emoção, é o desejo de controle, resume Nietzsche. 

Para que você controle seus condomínios é preciso muita habilidade de relacionamento e modo correto de apresentação de suas necessidades. 

Há duas verdades incontestáveis sobre o processo de gestão jurídica de condomínios. 

A primeira é que você como síndico gestor e profissional, jamais deverá impor sua vontade, mas conquistar o terreno para que a excelência seja entendida como regra, permitindo que a apresentação da proposta se de por aqueles que exercem a profissão de maneira correta e assim, conduzir o conselho a aceitar aquilo que você já sabe o que deve ser feito. 

Como regra de convivência condominial, estamos sempre num ambiente de incerteza e sujeitos à aleatoriedade. Cada qual pensa de um jeito e atribui valores diferentes ao seu patrimônio. Para que sua gestão seja destacada no mercado, você precisa estar cercado de verdadeiros profissionais ao seu lado. Para tanto, precisa deixar a praxe de lado e inovar. Ou seja, você precisará correr riscos de exposição, para sentir-se seguro em suas decisões à frente do condomínio. 

E o risco é o escopo da incerteza, da probabilidade, da falta de controle sobre o processo. Síndico e Administrador competente não combatem Conselho, mas conduzem a nau ao seu rumo entregando-se ao profissionalismo e excelência de gestão. 

A segunda verdade é que você como gestor tem autonomia legal para contratação de profissionais que auxiliem na condução do condomínio. 

Autonomia não significa imposição, mas não submissão às decisões do conselho. Autonomia aqui pode ser entendida como a possibilidade de levar o corpo jurídico à Assembleia, para que todos possam desfazer o pré-conceito que existe na contratação. 

Não lembro de nenhuma contratação que perdi apresentando os benefícios.

A assessoria jurídica condominial é na relação custo benefício a qual se tem os melhores resultados. 

Não caia na sedução diabólica da entidade “jurídico de administradora” ou “Advogado do Conselho”.  

Seja profissional e ofereça de fato o que há de melhor em Assessoria Jurídica para os seus condomínios. 

Clodoaldo de Lima é Sócio da Zabalegui & de Lima – Advogados. 

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