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É MAIS FÁCIL EVITAR A ESTUPIDEZ DO QUE TENTAR SER BRILHANTE.

A frase do título é emprestada de um dos maiores investidores de todos os tempos: Charlie Munger.

 

O interessante é que, antes de ser esse grande investidor, ele serviu durante a Segunda Guerra Mundial como meteorologista para o Corpo Aéreo do Exército americano, checando condições climáticas para voo e indicando readequações de rota quando necessário.

 

À época, Munger praticava um modelo de inversão mental em que, em vez de procurar itinerários ideais, ele buscava se esquivar “dos jeitos mais fáceis de matar pilotos”.

 

Assim, ele evitava mandar os aviões para lugares tão frios que suas asas poderiam congelar; ou planejar rotas tão longas que consumiriam todo o combustível antes do retorno do piloto. Ao fazer isso, ele podia não estar otimizando todas as rotas, mas certamente prevenia desastres fatais.

 

Nos condomínios, essa mesma postura tem um valor enorme, porque muito ganha quem se esquiva de desgastes desnecessários, posições desconfortáveis ou embates desmedidos por “estar certo”.

 

Tenho 40 anos de idade e uma experiência razoável em conflitos amorosos. Sendo assim, aprendi na própria pele que para manter um relacionamento duradouro é muito melhor ser feliz do que ter razão.

 

Evitar a estupidez livra o síndico de armadilhas clássicas, como cobrar ele mesmo os inadimplentes do condomínio, ou tentar ser o salvador da pátria prometendo abaixar o condomínio na eleição sem pleno acesso à saúde financeira do condomínio.

 

Certa vez uma síndica me questionou se ela poderia contratar uma prestação de serviços sem o consentimento do conselho. Era uma contratação vultuosa mas emergencial. Via de regra, pela letra fria da lei, pode. No entanto… convém?

 

No meio do diálogo nossos papéis estavam invertidos: Ela falando das responsabilidades legais atribuídas ao síndico pelo código civil; eu questionando o motivo de não trazermos o conselho para perto, para validar a própria atitude emergencial.

 

Gestões participativas demais são tão nocivas quanto gestões autoritárias demais.

 

Alguns escondem-se na gestão participativa para não promover as contratações e mudanças necessárias para as quais foram eleitos; resultado: ineficiência, inércia, falta de resultados e consequente não reeleição.

 

Outros escondem-se por trás do autoritarismo que a responsabilidade civil impõe ao síndico para a tomada de decisões sem o debate necessário.

 

Existe uma linha tênue no meio dessa história que a participação com decisão. Síndico não é tirador de pedido de conselho, logo precisa tomar decisões que por vezes são desagradáveis aos próprios. No entanto, sempre muito bom dar chances e ser um bom ouvinte. A arma está mais em ouvir do que falar, já dizia a minha avó!

 

Outra clássica atitude que desgasta a imagem de um síndico nos condomínios é não se cercar de um Advogado competente e conhecedor de gestão condominial. Assim como de um Administradora que entenda que nem tudo pode ser frio e técnico.

 

Condomínios são entidades políticas e precisam de conhecedores de lei e persuasão. Não basta impor a necessidade de reforma através de laudo de engenharia, é importante que traga as consequências de não reformar a área. Não basta implementar  grupo de whatsapp para facilitar a comunicação. É fundamental não viciar e criar o hábito de não responder no grupo de moradores e criar um canal de comunicação oficial para a guarda de questionamentos e respostas satisfatórias.

 

Ao longo de tantos anos advogando para condomínios desenvolvi a teoria de que não me satisfaz “bater certo”. Eu posso estar dirigindo dentro da velocidade permitida e na preferencial, mas se eu vejo um carro na direção oposta que pode colidir, é meu DEVER frear e deixar o veículo passar. Isso se faz por instinto de preservação, e não por regras de um código. Eu poderia estar plenamente certo, mas é minha vida e segurança que estão no jogo. Estupidez seria seguir confiante nas regras do Código de Trânsito Brasileiro. A teoria vale para o comando dos condomínios também.

 

Um síndico que faz a leitura certa do seu condomínio, dos seus conselheiros e possui especialistas jurídicos ao seu lado só está evitando a estupidez de “bater certo”.

 

Não canso de repetir que admiramos muito a capacidade empreendedora de muitos síndicos que escolheram a ZDL ADVOGADOS para a gestão jurídica de seus condomínios. Nós vivemos isso diariamente. Não somos um escritório de Advocacia que atende condomínios. Somos um escritório de Advocacia que vive, respira, acorda e dorme condomínios. Nós fazemos isso o tempo inteiro. Essa News por exemplo está sendo escrita em uma madrugada de segunda feiras, 02:19 da manhã.

Esse é o espírito. É por isso que se chama Day One!

 

De volta ao tema, existem alguns sinais que, para o olhar de um meteorologista de guerra ou um advogado treinado, nos dão um cheiro de grandes erros.

 

Evite-os e com isso você vai se livrar de potenciais perdas de condomínios.

É mais fácil evitar a estupidez do que tentar ser brilhante.

 

Um abraço,

 

Clodoaldo Lima é Advogado Condominial e sócio da ZDL ADVOGADOS.

 

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